segunda-feira, 6 de agosto de 2012

INFORMATIVO SEMANAL Nº 114 – 03 DE AGOSTO DE 2012

Auditores Fiscais da DS Campinas - Jundiaí aprovam greve fora da repartição a partir do dia 8 de agosto
Os Auditores Fiscais que compareceram à Assembleia Nacional nas unidades representadas pela DS Campinas/Jundiaí na quarta-feira, dia 1/8, aprovaram a proposta contida no Indicativo 2, de paralisação fora da repartição por tempo indeterminado na zona secundária, a partir do próximo dia 8, e paralisação/operação-padrão na zona primária.
A forma de paralisação aprovada foi a proposta contida no item “b” do Indicativo 3, de operação padrão na zona primária e crédito zero na zona secundária, na segundas e sextas-feiras e fora da repartição nas terças, quartas e quinta-feiras.
Auditores Fiscais de Campinas e Jundiaí aprovaram ainda as propostas dos Indicativos 4 e 5, caso o Indicativo 2 não seja aprovado pelo conjunto da categoria. Também foram aprovados os Indicativos 1 – manifestando repúdio ao Decreto 7.777/12 e a Portaria MF 260/12 – e o Indicativo 6, sobre o custeio das despesas da Campanha Salarial.
A Assembleia no âmbito da DS Campinas/Jundiaí também aprovou uma carta (veja aqui) de repúdio ao Decreto 7.777 e Portaria MF 260 que será encaminhado ao Superintendente da 8ª Região Fiscal, José Guilherme Antunes Vasconcelos.
Na DRF Campinas também foi aprovado uma moção de apoio à carta da DS Ceará à DEN sobre o Decreto 7.777 e Portaria 260, e uma moção de apoio ao documento dos administradores do Rio de Janeiro sobre o movimento dos Auditores-fiscais.

Diretores da DS Campinas/Jundiaí discutem Portaria 260 e Decreto 7.777 com Delegado da DRF Campinas
Diretores da DS Campinas/Jundiaí estiveram reunidos na manhã de segunda-feira, dia 30/7, como o Delegado da DRF Campinas, Walmir Martinez, para falar sobre a continuidade da mobilização da categoria e discutir o Decreto 7.777 e a Portaria MF 260 editadas na semana passada.
Na reunião, o Secretário Geral da DS, Paulo Gil, argumentou que tais normas, além da ilegalidade no conteúdo e de mostrar o desrespeito do Governo para com os servidores públicos, representam um sério ataque as prerrogativas do Auditor-fiscal. Ele lembrou ainda que as normas editadas, em especial o Decreto 7.777 coloca em risco a segurança funcional de quem exerce cargos de chefia.
O Delegado da DRF Campinas manifestou preocupação com as normas editadas e afirmou que as levará às instâncias superiores da Receita Federal o descontentamento manifestado pela categoria.

Auditores-fiscais levam reivindicações à deputado em Jundiaí
Na tarde de segunda-feira, dia 30/7, representantes da DS Campinas/Jundiaí e do Sinait (Sindicato Nacional dos Auditores-fiscais do Trabalho) foram recebidos pelo deputado estadual Pedro Bigardi (PC do B), para discutir a Campanha Salarial.
O vice-presidente da DS Campinas/Jundiaí, Paulo Matsushita, entregou ao deputado a pauta de reivindicação e falou sobre as mobilizações das diversas categorias do serviço público federal, motivadas principalmente pela falta de diálogo por parte do Governo. “Hoje existem mais de 350 mil servidores em greve o Governo insiste na postura de não negociar”, lembrou Matsushita.

Fiscais estaduais divulgam nota de protesto contra decreto presidencial
Segundo a Febrafite, decisão de Dilma que permite substituir fiscais federais em greve por fiscais estaduais afronta a Constituição e gera insegurança jurídica.

Mosap e Sindifisco promovem debate sobre a PEC 555
O Mosap ((Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas) com o apoio do Sindifisco Nacional irá promover no dia 7 de agosto um seminário pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 555/06. O seminário será no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, a partir das 9h.
A PEC 555 pretende acabar gradativamente com a contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas. Vale lembrar que de pronto, a aprovação da proposta beneficia os atuais aposentados e pensionistas, mas, caso ela não seja aprovada, no futuro, os ativos também serão prejudicados. Portanto, essa é uma luta de todos! (Com informações do Sindifisco Nacional).

Servidores realizarão ato público em Brasília no dia 8
No dia 8 de agosto trabalhadores de todos os segmentos das carreiras típicas realizarão um grande ato público em Brasília (DF). Os Auditores que desejarem participar do movimento podem enviar email manifestando o interesse para keize@maiorca.com.br e darcila@sindifisconacional.org.br.
É fundamental a adesão total dos Auditores-Fiscais. O adiamento da apresentação de uma resposta à pauta da categoria, prevista para o dia 31 de julho, é mais uma demonstração de que o Governo não pretende negociar. A estratégia da equipe da presidente Dilma Rousseff é usar o prazo previsto na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para o envio de PL (Projeto de Lei), tratando do reajuste ao Congresso Nacional como justificativa para postergar o diálogo para 2013 (Com informações do Sindifisco Nacional) .



sexta-feira, 27 de julho de 2012

INFORMATIVO SEMANAL Nº 113 – 27 DE JULHO DE 2012

Governo mostra desrespeito à categoria com Decreto nº 7.777 e Portaria 260
O Governo de Dilma Roussef (PT) mostrou mais uma vez seu pouco apreço pelos servidores públicos federais. Em resposta às justas mobilizações por reajustes dos salariais e ao invés de apresentar uma proposta à categoria, o Governo editou, no dia 24 de julho, o Decreto 7.777/2012, que “determina que sejam realizados convênios para o compartilhamento da execução da atividade ou serviço com Estados, Distrito Federal ou Municípios em caso de greve, paralisação ou operação de retardamento de procedimentos”, ou seja, propõe a retirada das atribuições dos Auditores fiscais e as repassa à fiscalização de Estados ou Municípios, com objetivo de esvaziar os efeitos de uma greve ou operação padrão.
Complementado esta norma, a Portaria nº 260 do Ministério da Fazenda, publicada no dia 27 de julho, estabelece tempo médio para desembaraço aduaneiro de mercadorias, observando a média praticada por unidade da Secretaria da Receita Federal no primeiro semestre de 2012 e que, caso não seja observado este prazo, será aplicado o previsto no Decreto 7.777.
Essas normas, características dos governos da época da ditadura, atropelam o bom senso e a legislação em vigor, atentam contra a Constituição e apontam até que ponto pode chegar o Governo em seu propósito de desmoralizar os servidores públicos.
Em reunião extraordinária e ampliada realizada na manhã desta sexta-feira, 27/7, a Diretoria da DS Campinas/Jundiaí (foto) avaliou que essas medidas causaram perplexidade e indignação na categoria e certamente servirá de combustível para fortalecer a mobilização.
Nesta segunda-feira, dia 30, acontecerão novas reuniões nas unidades da RFB para discutir o conteúdo destas normas. Assim, torna-se fundamental a presença na Assembleia da próxima quarta-feira para definir a continuidade e as formas de mobilização. Agora, mais que uma reivindicação salarial, a categoria exige respeito.

Diretoria da DS Campinas – Jundiaí divulga nota sobre o Decreto n° 7.777
A Diretoria da DS Campinas/Jundiaí divulgou nota sobre o Decreto 7.777, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 25/7, que determina que sejam realizados convênios para o compartilhamento da execução da atividade ou serviço com Estados, Distrito Federal ou Municípios em caso de greve, paralisação ou operação de retardamento de procedimentos.
Na nota, a DS observa que o Decreto, que contém evidentes vícios legais e constitucionais, está notadamente dirigido à Receita Federal do Brasil e, subsidiariamente à ANVISA, tendo em vista a mobilização das categorias.
O texto também destaca que o Decreto indica a importância da categoria para o país, pois a mobilização está incomodando o Governo.
Por fim, Diretoria da DS Campinas Jundiaí conclama os Auditores fiscais a manterem a mobilização, uma vez que, além da demanda salarial, trata-se de um luta para que o Governo respeite os Auditores fiscais, assim como todos os servidores públicos federais.

DS Campinas/Jundiaí convoca filiados para Assembleia dia 1º de agosto
A Diretoria da DS Campinas/Jundiaí convoca os filiados para Assembleias Nacional e Local que serão realizadas na próxima quarta-feira, dia 1º de agosto.
A Assembleia Nacional irá deliberar sobre a proposta aprovada na Plenária Nacional no mês de junho, que propõe a intensificação da mobilização caso o Governo não apresente uma proposta a categoria até o dia 31/07.
A Assembleia Local vai debater a pauta da reunião do CDS que será realizada em Brasília nos dias 7 a 10 de agosto.
Veja abaixo os Editais com horários e locais  

Jornal Metro repercute greve dos Auditores-fiscais
A edição de Campinas do Jornal Metro desta quarta-feira, dia 25, publicou reportagem repercutindo a operação padrão dos Auditores-fiscais em Viracopos. A matéria informa que a operação padrão deflagrada no dia 18 de junho já provoca impacto na produção devido ao atraso na liberação das cargas e que as indústrias da região, através do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), deverão entrar com mandato de segurança visando à liberação das cargas.
O jornal Metro, ligado ao grupo Bandeirantes, é distribuído gratuitamente nos principais cruzamentos viários da cidade.
Abaixo o link da pagina do Jornal Metro na internet     

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Informativo Semanal 109


Proposta de delegados da DS Campinas/Jundiaí sobre rumos da greve é aprovada pela Plenária Nacional
Caso o governo não apresente nenhuma proposta à categoria até o dia 31 de julho uma Assembleia deve ser convocada para o dia 1º de agosto com o indicativo de paralisação total das atividades da Receita Federal. Esta foi a principal deliberação aprovada na Plenária Nacional realizada na terça e quarta-feira, dias 26 e 27, em Guarulhos (SP).
A proposta foi apresentada pelos delegados da DS Campinas/Jundiaí, com apoio de delegados das DS Curitiba, Ribeira Preto, Espírito Santo, Belo Horizonte, Joinville, Brasília e Pará.
Outras deliberações aprovadas foram a constituição e fortalecimento do fundo de corte de ponto e fundo de mobilização. “Essas deliberações foram importantes para mostrar ao Governo que a categoria está decidida e preparada para suportar uma greve e a aprofundar a mobilização”, comentou o Vice-Presidente da DS Campinas/Jundiaí, Paulo Matsushita, que participou como delegado da Plenária Nacional.
Para Matsushita a Plenária Nacional foi um momento importante para mostrar a unidade da categoria e definir rumos do movimento. “Na avaliação de conjuntura afirmamos que o movimento, na primeira semana, estava desorganizado e sem uniformidade e que a operação crédito zero precisa de mais intensificação” observou. Conforme informou o Vice-presidente da DS Campinas/Jundiaí, a avaliação da Plenária foi que, além de não encerrar os processos, também é necessária uma operação padrão para afetar os resultados das planilhas gerenciais na zona secundária.  “A Plenária foi importante porque reuniu 400 representantes da categoria de todo o país, mostrou a unidade da categoria e apontou propostas no sentido de organizar e acirrar o movimento”, afirmou.
Agora, a DEN deve convocar uma assembleia ainda esta semana para a categoria analisar as propostas aprovadas na Plenária Nacional.

Auditores da DRF Campinas e de Viracopos decidem realizar reuniões semanais
Os Auditores-fiscais da DRF Campinas reuniram-se na manhã de quinta-feira, dia 28, para discutir e avaliar as propostas aprovadas na Plenária Nacional realizada na terça e quarta-feira, dias 26 e 27, em Guarulhos.
Conforme informou o Diretor Secretário da DS Campinas/Jundiaí, Edison Bacci, que foi um dos delegados da Plenária Nacional, após a discussão de várias propostas, as principais deliberações foram a convocação de uma Assembleia para o início do mês de agosto, caso o Governo não apresente nenhuma proposta até o dia 31 de julho, que deverá propor a radicalização do movimento, com a paralisação de 100% das atividades na Receita Federal e o acirramento da continuidade do movimento dentro da repartição, com assinatura de ponto e a manutenção da operação padrão na zona primária e crédito zero na zona secundária (veja texto acima).
Na reunião também foram debatidos as ações para manter a operação crédito zero. Os Auditores da DRF Campinas deliberam ainda a realização de reuniões todas segundas e quintas-feiras, às 9h30, no Auditório da DRF, enquanto durar o movimento.

Viracopos
Em reunião realizada na tarde de quinta-feira, os Auditores lotados na Alfândega de Viracopos também decidiram realizar, a partir da próxima semana, reuniões todas as terças e quintas-feiras, às 10h no Auditório, para discutir as ações e a continuidade do movimento.

Imprensa
Jornal Valor Econômico destaca que Dilma deve conceder reajustes para algumas categorias de servidores da União
Reportagem do jornal Valor Econômico publicada na quarta-feira, 27, com o título “Dilma deve conceder reajustes a servidores da União” destaca que a presidente Dilma Roussef deverá conceder reajustes salariais à algumas categorias do serviço público federal. De acordo com a reportagem, as categorias que compõem a base dos servidores serão beneficiadas, o que agradaria o meio sindical.
O jornal informa ainda que, como desdobramento político dessa medida, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, assinou minuta de projeto de lei, que busca incorporar ao salário as gratificações recebidas por assistentes e oficiais de chancelaria.
De acordo com a reportagem, fontes do Palácio do Planalto avaliam que são menores as chances de concessão de reajustes às carreiras que estão no topo do funcionalismo, como os auditores da Receita Federal e a Polícia Federal.
Para o Vice-presidente da DS Campinas/Jundiaí, a reportagem mostra um recuo do Governo em função das pressões dos servidores públicos federais. “Várias categorias vem realizando mobilizações este ano. Esta reação do Governo mostra um recuo e aponta que devemos continuar a pressão para obter um proposta às nossas reivindicações”, comentou Paulo Matsushita.

Campanha Salarial
CNM convida Auditores para discutir uniformização de procedimentos para mobilização
(Do Sindifisco Nacional)
O CNM (Comando Nacional de Mobilização) divulgou, na quinta-feira (28/6), convite para que os Auditores-Fiscais participem do “Encontro Técnico de Uniformização de Procedimentos em Operação Padrão na Zona Primária” e do “Encontro Técnico de Uniformização de Procedimentos de Crédito Zero para Zona Secundária e DRJ”.
O Comando ressalta a importância do engajamento e da colaboração da Classe na discussão sobre medidas de padronização e uniformização dos procedimentos que podem contribuir para o andamento da Campanha Salarial. Veja nos links acima onde ocorrerão os encontros e como participar.

Festa Julina será no sábado dia 7 de julho
Agende-se. A festa julina 2012 da DS Campinas/Jundiaí acontecerá no dia 7 de julho (sábado), a partir das 17h, no Buffet Belmont (Rua Cel. Alfredo Augusto do Nascimento, 2000, Sousas).
Os convites estarão a venda até o dia 5 de julho. Veja o CONVITE


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rio+20: Movimentos sociais defendem ação de Estado para redução de desigualdades e garantia dos direitos de gerações futuras


Reginaldo Cruz

Pela segunda vez o Brasil, em especial o Rio de Janeiro, sedia um evento da ONU sobre Meio Ambiente. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada entre os dias 13 e 22 de junho, está sendo chamada de Rio+20 em referencia aos 20 anos da ECO/Rio 92 - a Conferencia sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU também realizada na capital fluminense.
No período de duas décadas que separa a duas Conferências muito se discutiu e, apesar do conceito “desenvolvimento sustentável” estar em voga e ter sido apropriado pelo capital como peça de propaganda; pouco se concretizou em termos de políticas efetivas e ações governamentais na defesa do meio ambiente.
Durante o Fórum Social Mundial Temático (FSMT) realizado em Porto Alegre no mês janeiro deste ano para discutir propostas dos setores populares para serem levadas à Conferência Rio + 20, o Instituto Justiça Fiscal (IJF)[1], em parceria com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), realizou a oficina “Justiça fiscal como instrumento para redução das desigualdades e transparências das contas públicas”, com o objetivo de inserir o tema “política fiscal” nas discussões da conferencia da ONU.
Ao final da oficina no FSMT, foi aprovado um documento que será apresentado à Rio+20, intitulado “Mensagem à Conferência das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)– Justiça Fiscal Para Redução de Desigualdades”.
Para os participantes da oficina no FSMT, faz se necessário inserir como tema central nos debates sobre a sustentabilidade a discussão sobre a importância dos Sistemas Fiscais para a construção de um modelo de desenvolvimento justo e sustentável, de uma sociedade solidária e de economia mais estáveis e que as propostas aprovadas na Conferencia Rio+20 possam sair do campo da retorica e se transformar em políticas concretas.
Para o auditor fiscal da Receita Federal e um dos fundadores do IJF, Dão Real Pereira dos Santos (foto), a Rio+20 será uma oportunidade para a sociedade refletir sobre os paradigmas atuais de consumo, bem como quais serão os instrumentos para interferir de forma concreta na definição de políticas públicas. “O debate sobre sistema fiscal não pode ficar restrito a algumas pessoas, mas deve ser apropriado pela sociedade como um todo. O Brasil é um país rico, mas possui um povo pobre”, afirmou.
Na entrevista abaixo ele defende o desenvolvimento de políticas de Estado e mudança na estrutura tributária para garantir inclusão social e para rever valores de desenvolvimento e consumo

A Rio+20 será realizada em um momento em que o país e a cidade do Rio de Janeiro estão às vésperas de sediar, respectivamente, a Copa do Mundo de futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Esses grandes eventos esportivos têm demandado a realização de grandes obras, com óbvios impactos ambientais e sociais. Além disso, o crescimento da economia na última década tem demandado obras de infraestrutura que, além de onerosas do ponto de vista financeiro, causam grande impacto ambiental e social.
Em sua avaliação, a Conferência Rio+20 poderá representar um espaço para ampliar e dar visibilidade ao debate ambiental. Qual a expectativa dos movimentos sociais que estão discutindo o tema?

Dão Real Pereira dos Santos: Creio que a Rio +20 será um momento muito importante para um debate profundo, não apenas sobre as questões de fundo, como o paradigma do consumo e a crise ambiental, mas principalmente sobre os instrumentos que a sociedade terá que dispor no futuro para exercer uma participação mais ativa. É fundamental criar espaço para a democratização dos temas sensíveis, para que a sociedade possa decidir sobre a viabilização do seu futuro. 

O Instituto Justiça Fiscal e o Sindifisco Nacional realizaram uma oficina no Fórum Social Temático, em Porto Alegre, propondo que a questão fiscal seja inserida nos debates da Conferência Rio+20. Qual a importância da discussão do tema Justiça Fiscal  qual a relação deste tema com o debate ambiental?

Dão Real Pereira dos Santos Desde o Fórum Social, ocorrido em janeiro de 2012, estamos elaborando um documento para a Rio +20 que propõe basicamente o resgate do papel do Estado na construção de um desenvolvimento mais justo e sustentável. Uma das principais a questões que a conferência deverá enfrentar será justamente o conflito entre os modelos colocados. É ao Estado ou ao mercado que caberá a responsabilidade de garantir direitos das gerações futuras? Tendo em vista a história recente, o mercado, desregulamentado, será capaz de produzir a inflexão necessária ao desenvolvimento econômico com vistas à redução das desigualdades e preservação dos recursos naturais? É possível construir um desenvolvimento que não esteja fundado unicamente no crescimento econômico e que priorize o interesse geral da sociedade?
Enfim, o debate fundamental, me parece, deverá ser sobre o modelo de organização social que terá mais condições de promover a construção de uma sociedade mais justa.    

Como os sistemas fiscais, definidos como mecanismos tributação, arrecadação e definição dos gastos públicos podem contribuir para a efetivação de políticas sustentáveis ambientalmente?

Em primeiro lugar é preciso reconhecer que os sistemas fiscais decorrem da organização social que tenha como institucionalização o Estado. Assim, os sistemas fiscais devem ser vistos como instrumento para a execução dos objetivos que justificam a existência do próprio Estado, ou seja, o bem comum. Os sistemas fiscais, que abrangem a tributação e os gastos públicos são os instrumentos pelos quais os Estados, regularmente constituídos, são modelados. É na configuração dos sistemas fiscais que se revelam os fundamentos que balizam a organização do Estado.  Assim, os sistemas fiscais são instrumentos poderosos à disposição das sociedades para direcionar toda a organização social no sentido de uma nova concepção de desenvolvimento que privilegie a distribuição de renda, a redistribuição de riquezas e o respeito às gerações futuras. O sistema fiscal significa, portanto, a interferência da sociedade como um todo na viabilização do futuro. 

Qual o papel do Estado na definição e aplicação de políticas sustentáveis do ponto de vista social e ambiental?

Dão Real Pereira dos Santos: Este é o tema-chave de toda a Conferência Rio +20. Não tenho dúvidas de que a contínua redução do papel Estado, observada nos últimos anos de uma economia fundada na doutrina neoliberal, associada à apropriação do Estado para o atendimento prioritário dos interesses privados, foi um dos fatores principais para a aceleração da degradação ambiental e para o aumento das desigualdades sociais. O Estado, enquanto forma de institucionalização das sociedades, tem um papel fundamental na defesa do interesse público e na definição dos limites. 

Qual sua avaliação da política tributária brasileira neste contexto?

Dão Real Pereira dos Santos: Não é novidade que o sistema tributário brasileiro é regressivo e privilegia o capital. Isso consta em várias pesquisas do IPEA, e significa que a política tributária brasileira tem sido a de onerar mais os mais pobres e menos os mais ricos. O sistema tributário brasileiro, portanto, é um fator de produção de desigualdades sociais. Além disso, a definição da política tributária não leva em conta inúmeros princípios e fundamentos que determinam, de um lado a justiça fiscal (redução das desigualdades) e de outro, um desenvolvimento mais sustentável e justo. As definições da política tributária têm levado em conta tão somente o interesse privado e/ou a necessidade de caixa das administrações públicas. Princípios de sustentabilidade ambiental, por exemplo, não são considerados. Com isso, mesmo na utilização da política tributária como estímulo a determinados setores produtivos, acabamos muitas vezes incentivando os setores com alta produção de lixo e de degradação ambiental, criando custos sociais cada vez mais elevados.   

As duas décadas que separam a ECO/Rio 92 da Rio+20 foi marcada pelo auge das políticas neoliberais, na década de 1990 e início dos anos 2000 e declínio desta política a partir da crise econômica deflagrada em 2007. Neste período, embora o debate ambiental tenha ganhado espaço na sociedade e o termo desenvolvimento sustentável tenha virado moda, inclusive peça de publicidade, houve aumento da degradação ambiental. Assim, pode-se afirmar que a políticas de livre mercado, sem regulação Estatal, fracassaram também nesta questão?

Dão Real Pereira dos Santos: O crescimento da consciência internacional de finitude dos recursos naturais e da responsabilidade social não veio acompanhado da implementação de políticas públicas nacionais e internacionais que pudesse barrar o processo crescente de degradação. Isso se deve muito ao fato de que, especialmente nestas duas últimas décadas, os instrumentos institucionais que seriam capazes de implementar novas concepções de desenvolvimento foram apropriados pelos agentes econômicos e pela lógica do crescimento sem limite. O problema parece estar localizado na falta de instrumentos. O Estado, e os Estados de forma organizada, que deveriam ser as instituições legítimas para fazer implementar políticas públicas que conduzissem a um novo modelo, estão reféns da própria lógica que aprofunda a degradação, a exaustão e a exclusão.  

Após a realização da ECO/Rio 92, as Conferências da ONU, como a sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague (Dinamarca) em 2009 e as metas estabelecidas pelo protocolo de Kioto (Japão, 1997), de uma forma geral, redundaram em grandes fracassos, ou, no mínimo, ficaram muito aquém do esperado. Em sua opinião, essa tendência pode ser superada na Conferência Rio+20? Qual papel da sociedade e dos movimentos sociais nesta questão?

Dão Real Pereira dos Santos: Creio esta é mais uma oportunidade. As conferências oficiais têm fracassado, sem dúvida. No entanto, podemos observar que a consciência acumulada nas sociedades tem começado a se transformar em mobilização social. Se os Estados são a institucionalização das sociedades, então está na hora de as sociedades começarem a impor responsabilidade aos Estados. É preciso desprivatizar a estrutura dos Estados. O interesse público deve prevalecer. É uma incoerência imaginar que o setor privado será capaz de atender de forma adequada o interesse público. É uma contradição.
De outro lado, se percebe cada vez mais claramente que a lógica econômica que nos conduziu à situação que chegamos, não será capaz de inverter o processo. Não há, nem haverá recursos suficientes para garantir bem estar a toda população mundial. Ou aceitamos a desigualdade (a maioria das pessoas vivendo na absoluta pobreza para que alguns possam usufruir altos padrões de consumo) ou teremos que redefinir o desenvolvimento, o que significa, obrigatoriamente, implementar políticas de redistribuição das riquezas.
A reversão do modelo depende fundamentalmente do resgate dos Estados, como braços institucionais das sociedades, dando-lhe condições suficientes, inclusive para regular e disciplinar os mercados e fluxos financeiros. Mas para isso, é preciso reconhecer antes, internacionalmente, que existe um conjunto de valores fundamentais que devem ser respeitados por todos e que tem relação com a justiça social e ambiental e com os direitos das gerações futuras. 



[1] Fundado em agosto de 2011, o Instituto Justiça Fiscal é uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede em Porto Alegre/RS e atuação em todo o território nacional. Tem por finalidade o aperfeiçoamento do sistema fiscal com vistas a torná-lo mais justo e capaz de contribuir para a redução das desigualdades sociais e regionais.
O Instituto Justiça Fiscal é fruto da iniciativa de um conjunto de pessoas e de entidades representativas que compartilham a ideia de que o sistema fiscal, que compreende a definição das políticas e a administração do ciclo das finanças públicas, da arrecadação à execução dos gastos e controle dos recursos públicos, é elemento constituinte do Estado e definidor do seu modelo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Artigo: Aduana – Órgão de controle e de fiscalização

Por Dão Real Pereira dos Santos*

Muito se tem discutido acerca dos objetivos de uma aduana, especialmente uma aduana inserida no sistema de administração tributária como a Aduana brasileira. Embora pareça ser evidente que cabe a qualquer aduana o controle e a fiscalização dos fluxos internacionais de comércio, este debate ganha relevo quando confrontado com orientações emanadas da Organização Mundial de Aduanas - OMA, especialmente no que se refere ao papel das alfândegas em relação aos ambientes de negócios internacionais. 

A expressão “facilitação do comércio internacional” trazida pela OMA como sendo um novo desafio a ser somado ao rol de objetivos tradicionais das aduanas, acabou sendo incorporada à missão da SRF (versão anterior a atual), com o texto “prover a segurança, confiança e facilitação para o comércio internacional”. Aliás, relativamente ao controle aduaneiro, a missão da SRF, na época restringia-se a esta expressão. 

Uma simples análise gramatical do texto da missão já permitiria deduzir que a SRF, na época, e no que se refere ao controle e fiscalização aduaneiros, estaria a serviço do comércio, pois tanto a segurança, quanto a confiança e a facilitação, que lhe cabia prover, eram dirigidas ao comércio internacional, como se fosse apenas uma etapa da cadeia logística internacional. Nenhuma expressão havia no sentido de que as atenções da Aduana devessem voltar-se para o atendimento dos interesses difusos da sociedade, relativamente à segurança, à saúde, ao emprego, ao meio-ambiente, à economia, etc. 

Esta preocupação exacerbada com a fluidez do comércio e com os interesses dos seus operadores revelava-se de forma expressa nas metas institucionais então vigentes e nos indicadores de eficiência considerados para as atividades de controle aduaneiro, os quais se restringiam unicamente à diminuição do tempo médio de despacho aduaneiro. 

A Constituição Federal, no entanto, ao estabelecer que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais e que tais atividades, fiscalizar e controlar, competem ao Ministério da Fazenda, define, em relação a este Ministério, que o comércio exterior é objeto de sua atuação, e não objetivo. 

Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. 

Aliás, só há duas ocorrências da expressão “comércio exterior” na Constituição Federal e apenas o Artigo 237 traz alguma alusão à competência do Estado, relativamente a este tema.  

Em documento publicado em junho de 2008, pela OMA (Anexo II ao Doc. SC0090E1a), intitulado “AS ALFANDEGAS NO SÉCULO XXI”, são ratificados e reafirmados conceitos importantes sobre o papel que as Aduanas devem exercer no cenário internacional. Já na sua introdução, o referido documento chama a atenção para a contradição que se apresenta entre os objetivos de garantia de segurança e de controle e as exigências de uma maior facilitação ao comércio lícito. 

Nos primeiros 8 anos do séc. XXI, as Alfândegas têm enfrentado exigências consideráveis (e, por vezes, contraditórias) decorrentes da globalização do comércio. Por um lado, há a necessidade de uma segurança e um controle eficazes das cadeias logísticas internacionais; por outro lado, existem crescentes exigências de uma maior facilitação do comércio lícito. 

Segundo o referido documento, as responsabilidades dos Estados Nacionais se ampliaram a partir do reconhecimento por parte das Nações Unidas de que o desafio nuclear que estes Estados enfrentam é o de garantir que a globalização se torne uma força positiva para toda a população mundial. Segundo a ONU, a globalização não reduz, mas redefine o papel dos Estados. Dentre as responsabilidades atribuídas aos Estados Nacionais nesta nova ordem global, destacam-se os desafios impostos às aduanas pela ampliação do comércio internacional, especialmente no que se refere ao controle das fronteiras, à segurança e à proteção dos cidadãos. 

Controle das fronteiras: garantir fronteiras seguras é uma das mais antigas funções do Estado. O desempenho dessa responsabilidade num mundo muito aberto é mais importante e exigente do que nunca. Os Estados têm reconhecido que o comércio internacional e a integração econômica levantam novos desafios globais em matéria de segurança, que têm de ser abordados internacionalmente para que possam ser desenvolvidas soluções comuns; 

Proporcionar segurança: o conceito de proporcionar segurança, também uma das funções nucleares do Estado, tem-se expandido da noção tradicional de segurança militar e política nacional, para também incluir a segurança económica nacional; e 

Proteção dos cidadãos: a proteção dos cidadãos contra ameaças como os alimentos contaminados, os brinquedos perigosos e os produtos contrafeitos (como produtos de consumo, medicamentos e outros) também constitui um novo imperativo para as Alfândegas. 

Os governos exigem que os organismos do Estado, incluindo as Alfândegas, sejam orientados para o serviço e cumpram as expectativas das sociedades e empresas. Por outras palavras, a administração aduaneira tem de garantir o desempenho das suas tarefas e, em simultâneo, atender às expectativas dos outros intervenientes. 

É de se acrescentar que também deveria ser reconhecida expressamente a responsabilidade imposta às aduanas quanto à necessidade crescente de proteção do meio-ambiente, das riquezas naturais e do patrimônio histórico/cultural das Nações. 

Embora o referido documento afirme a orientação de que às Aduanas cabe também o desenvolvimento e implementação de um conjunto integrado de políticas e procedimentos que garantam proteção, segurança e facilitação do comércio lícito e a cobrança eficaz de receitas, ele reconhece expressamente que o papel da alfândega é o de controlar o movimento de mercadorias e, desse modo, garantir a defesa dos interesses do Estado e salvaguardar a cobrança de receitas. Os objetivos fundamentais têm sido os de garantir a conformidade com as políticas e leis do Estado aplicáveis à movimentação transfronteiriça de mercadorias, combater o contrabando e zelar pela segurança das fronteiras. 

No final do ano de 2008, após debates internos que envolveram toda a organização, foram revistos os marcos institucionais e a missão da RFB foi modificada para “Exercer a administração tributária e o controle aduaneiro com justiça fiscal e respeito ao cidadão, em benefício da sociedade”. 

Neste novo contexto, no que se refere ao controle aduaneiro, fica claramente definido que a ação da RFB deverá estar voltada ao interesse da sociedade, devendo ser realizado com justiça fiscal e respeito ao cidadão, o que não contraria, de forma alguma, as responsabilidades reconhecidas pela OMA. Diferentemente do que havia anteriormente, com a nova missão a Aduana volta suas atenções para dentro do País, de forma mais afinada com o dispositivo constitucional, sem perder de vista a necessária inserção do País no cenário econômico internacional. 

O comércio internacional, assim como outras atividades econômicas desenvolvidas no País, deve ser estimulado, por tratar-se de um importante fator de desenvolvimento nacional, na medida em que aumenta a competitividade do País no mercado global e melhora as condições de produção da economia doméstica. 

O papel fiscalizador e controlador do Estado, exercido por diversos órgãos públicos, dentre eles a RFB, não se confunde com as atividades de fomento e de estímulo às atividades econômicas em geral, nem a elas pode se submeter. Aliás, o contrário é desejável, todas as atividades organizadas devem se submeter aos órgãos de controle e fiscalização. 

De outro lado, o exercício de tal controle não deve impor às atividades econômicas custos desnecessários e exorbitantes nem obrigações acessórias não justificadas. Por conta disso, é constante a necessidade de aperfeiçoamento dos instrumentos de controle e fiscalização e de simplificação das normas e dos procedimentos realizados por estes órgãos. O exercício do controle deve pautar-se no princípio da neutralidade, ou seja, agir sobre um determinado objeto sem interferir na atividade, ou interferindo o mínimo necessário para garantir o cumprimento das obrigações. 

Outros Ministérios poderão estar voltados ao fomento de determinadas atividades econômicas, tendo como atribuições o desenvolvimento de programas de estímulos e incentivos. Assim, por exemplo, ao Ministério de Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior - MDIC, cabem diversas atividades referentes ao fomento e facilitação do comércio, inclusive do comércio exterior. 

A própria Câmara de Comércio Exterior – CAMEX, que é presidida pelo Ministro do MDIC, também tem suas atenções voltadas para o ambiente de negócios, tendo por objetivo, em relação à facilitação do comércio, coordenar esforços no contexto atual de ampliação do comércio, competição agressiva e de falta de recursos logísticos mais eficientes e competitivos (infra-estrutura, transporte e prestadores de serviços). 

Embora a ampliação da participação do País no cenário de comércio internacional seja relevante, não se podem subverter os reais objetivos dos órgãos de controle e de fiscalização. À Aduana, no contexto da RFB e do Ministério da Fazenda, caberá atuar sobre o objeto “Comércio Internacional” com vistas a garantir a adequação dos fluxos internacionais às normas internas do País. 

O interesse público no controle do Estado sobre o comércio justifica-se pela tutela necessária dos valores e das riquezas nacionais. O emprego, a produção doméstica, a saúde pública, a segurança, o meio ambiente, a biodiversidade, as riquezas minerais e o patrimônio histórico/cultural do País são apenas alguns exemplos da ampla gama de valores que devem preocupar a Aduana brasileira. 

O fluxo de bens e pessoas pelas fronteiras territoriais do País, que decorre preponderantemente do comércio internacional, constitui o fato jurídico objeto do controle aduaneiro, a partir do qual, as várias dimensões relativas ao interesse do Estado precisam ser observadas. 

O controle e a fiscalização do comércio internacional deve ser realizado, portanto, a partir da ótica do interesse público e não da ótica do próprio comércio. Inúmeros mecanismos têm sido desenvolvidos pelos competentes órgãos governamentais para implementar medidas de simplificação e estimulo ao comércio internacional, uma vez que, como já exposto anteriormente, também esta atividade interessa ao País, impondo, inclusive, limites às atividades desenvolvidas pelos órgãos de controle e de fiscalização, limites estes que não devem ficar aquém da margem mínima de segurança que requer o interesse público. 

Não se pode confundir, portanto, os objetivos de cada um dos órgãos governamentais. É do equilíbrio entre as distintas competências dos diversos órgãos de Estado, uns promovendo e estimulando, outros controlando e fiscalizando, que se garante a precedência do interesse público. 

A simplificação dos procedimentos administrativos, que muitas vezes é colocada como sendo o objetivo final e único do propósito expresso da facilitação ao comércio internacional, deve ser buscada, outrossim, por toda a administração pública para todas as atividades e não apenas em relação ao comércio internacional. Aliás, nem se poderia imaginar que a administração pública tivesse por objetivo a complicação de suas relações com os administrados. 

A simplificação desonera as atividades econômicas e facilita a vida dos cidadãos, além de que, e principalmente, estimula o cumprimento voluntário das obrigações, aspecto extremamente relevante também para os órgãos de controle e fiscalização. 

Enfim, a facilitação é meio e não fim. 

*Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Diretor do Cesit vê cenário otimista, mas alerta sobre dependência do mercado financeiro

Em palestra realizada nesta quarta-feira, dia 9, no Auditório da DRF Campinas, o professor do Instituto de Economia da Unicamp e Diretor Adjunto do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho) Anselmo Luiz dos Santos, traçou um cenário otimista da atual situação econômica brasileira, mas alertou sobre a manutenção da submissão da economia aos interesses do setor financeiro, o que constrange investimentos no setor público e consequentemente força a uma política de restrição salarial dos servidores.

No início da palestra, o professor Anselmo fez uma análise da economia na última década, observado que neste período, que atinge os dois mandatos de Lula e o início governo de Dilma Roussef, houve importantes mudanças. Para o economista, apesar do aumento da dívida pública, houve elevação da taxa de investimento público e o Brasil vem crescendo de forma continua desde 2004.

Na crise econômica que eclodiu em 2008, já no segundo mandato de Lula, o país conseguiu se sair bem, segundo o palestrante. Na análise do professor Anselmo, neste período houver maior regulação estatal na economia, apesar de o país ainda não ter constituído um padrão sustentável de desenvolvimento.

De acordo com o palestrante, as políticas anticíclicas adotadas pelo governo neste período garantiram um crescimento médio de 4% de PIB que, se comparado com o ritmo de crescimento do país nas duas décadas anteriores e às mudanças ocorridas na estrutura demográfica neste período – com a redução do número de jovens que entram no mercado de trabalho a cada ano - esse índice de crescimento foi suficiente para mudar a relação social no Brasil.

Ainda neste ponto, o diretor do Cesit destacou como fundamental o papel desempenhado pelo BNDES no financiamento dos investimentos públicos na economia. O economista também ressaltou a valorização do salário mínimo na última década, que, apesar de ainda ser baixo, cresceu acima do PIB e constituiu-se em um dos principais políticas de redução da pobreza.
Outros pontos apontados por Anselmo Luis do Santos foi a queda na taxa de desemprego, hoje em torno de 6%, aumento da renda dos trabalhadores autônomos.
Após fazer uma análise otimista da política macro econômica, o professor Anselmo destacou pontos que considera que não houve mudanças, com o aumento do déficit em conta corrente, o processo de desindustrialização e a falta de autonomia tecnológica. Para ele, o país não tem condições de desenvolver de forma sustentada se não tiver estrutura.

Na questão tributária, o palestrante criticou o que chamou de entulho neoliberal, como a política de desoneração das empresas e a falta de tributação sobre o patrimônio e renda dos mais ricos.

As mudanças no sistema de previdência do setor público também foi alvo de crítica. Para o professor Anselmo, o único setor beneficiado com a criação do fundo de previdência é o mercado de capitais que irá gerir os recursos desses fundos.

Por fim, o professor criticou a manutenção da hegemonia do setor financeiro, que força o governo a cortar gastos para obter superávit nas contas públicas e com isso constrange os investimentos públicos e consequentemente força à restrição aos salários dos servidores públicos. Para o professor Anselmo Luis dos Santos, é necessário fazer o enfrentamento em defesa do setor público e combater a lógica de mercantilização dos serviços público.



Por que os milionários pagam menos tributos?

*Dão Real Pereira dos Santos
É evidente que os tributos indiretos sobre o consumo incidem mais pesadamente sobre os que ganham menos e que utilizam quase toda sua renda para o consumo, e menos sobre os que ganham mais e que possuem capacidade de acumulação. Já os tributos diretos, que incidem sobre o patrimônio e a renda, têm a capacidade de dar ao sistema tributário uma certa dose de equidade, na medida em que podem ser dimensionados para pesar mais sobre quem tem mais.
No entanto, o baixo peso dos tributos diretos no bolo tributário total e a falta de progressividade ou uma progressividade inexpressiva em suas alíquotas não permitem que os mesmos possam ser utilizados como mecanismo de compensação da regressividade dos tributos indiretos. O sistema tributário, portanto, afeta os contribuintes de forma predominantemente regressiva, retirando mais recursos de quem tem menos e menos de quem tem mais.
Assim, fica fácil de perceber que aqueles que detêm as maiores rendas e riquezas são sempre mais beneficiados pela tributação.
O milionário norte-americano Warren Buffet já havia alertado que enquanto ele estava sujeito a uma alíquota tributária média de 17%, a renda de sua secretária estava sujeita a uma alíquota de 30%. Isso não ocorre apenas nos EUA, mas na maioria dos países. Os milionários são normalmente beneficiados pelos sistemas tributários.
Não bastassem o baixo peso dos tributos diretos na arrecadação total e sua inexpressiva progressividade, parte das rendas nacionais, justamente as rendas do capital, não são sequer tributadas. Os milionários brasileiros, quase que invariavelmente, têm seus rendimentos originários de distribuição de lucros de suas empresas e negócios, e gozam de isenção do Imposto de Renda. Assim, enquanto os trabalhadores assalariados pagam Imposto de Renda sobre seus ganhos, os empresários têm isenção sobre os lucros retirados.
Outra fonte relevante de seus ganhos está no resultado de aplicações no mercado financeiro ou em ganhos de capital, cujas alíquotas do Imposto de Renda são sempre inferiores às alíquotas incidentes sobre as rendas do trabalho.
Portanto, os milionários pagam menos tributos porque são menos atingidos pelos tributos sobre o consumo e porque se beneficiam das vantagens decorrentes da origem de seus ganhos. A falta de isonomia de tratamento entre as rendas em função da origem cria uma situação completamente discriminatória contra os mais pobres.
Além disso, grande parte da riqueza acumulada decorre também de heranças. A falta de um imposto sobre grandes fortunas e a falta de progressividade dos tributos sobre herança produzem também um ambiente extremamente favorável à concentração de renda, em prejuízo da sociedade.
Essas são algumas formas de explicar o tratamento privilegiado concedido aos milionários, mas não explica suas causas, que tem origem, sem dúvida, na estrutura de poder. A apropriação do público pelo privado é conseqüência direta da submissão histórica das decisões políticas aos interesses econômicos e financeiros. O sistema político brasileiro ainda é essencialmente patrimonialista e se alicerça nas idéias de que o Estado é um negócio privado e de que o poder tem um preço, convertendo financiadores de campanha em credores.
A proteção do Estado aos ricos e super ricos na forma de privilégios fiscais e monetários, haja vista o tamanho dos gastos para o pagamento de serviços da dívida, é totalmente incompatível com a idéia de Estado de Bem Estar Social e contraria os objetivos republicanos de redução das desigualdades sociais e regionais, com distribuição de renda e riqueza, previstos na Constituição Federal de 1988.
*Presidente do Instituto Justiça Fiscal